Os encantos de Cora

Angela Mognato e Izabella Beatriz mostram a juventude e a velhice de Cora Coralina em “Cora”, videodança com sessão única dia 26 de outubro, no Teatro Mapati

Foto: Marco Mugnato/Divulgação

Cora Coralina nasceu Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, na Cidade de Goiás do fim do século 19. Ana fugiu da cidade natal para o interior de São Paulo onde casou-se e teve seis filhos. Com a morte precoce do marido, ela foi trabalhar como lavradora e, posteriormente, como vendedora de livros.

Ana tornou-se Cora Coralina quando decidiu que seria preciso mudar de nome para publicar seus textos sem a repressão da família. Aos 76 anos, Cora lançou o primeiro livro, “Poemas dos becos de Goiás e estórias mais” (1965), e de lá para cá fez história como uma das principais escritoras brasileiras.

Inspiradas na juventude e na velhice da escritora, que morreu aos 95 anos, Angela Mognato e Izabella Beatriz levam para o palco a videodança “Cora”, com sessão única no dia 26 de outubro, no Teatro Mapati.

A Revista Seca bateu um papo com a diretora e coreógrafa do espetáculo, Vann Porath, sobre o processo de criação do projeto. Confira a entrevista:

A força de Cora

“Cora é uma artista ímpar, uma mulher forte e guerreira. Suas palavras não são nem um pouco datadas ou locais. Ao contrário, Cora consegue manter sua identidade e ser universal ao mesmo tempo. Acreditamos que mergulhar em suas criações neste momento é também um ato político e social em busca das vozes femininas. Presentear a nova geração de mulheres com a força de uma mulher que soube se reinventar.”

As emoções que Cora traz

“Toda a equipe ficou muito emocionada com a bica d’água que fica no porão da casa de Cora, trata-se de um ambiente onde o tempo parece não ter passado, é como se Cora ainda estivesse por ali com seu olhar atento e generoso. No porão desta casa, Cora hospedava uma moradora de rua, todo final de dia, essa senhora entrava sem falar nada, dormia no porão e ia embora cedinho. Um diálogo silencioso era mantido entre as duas.”

Cora contra o machismo

“Cora enfrentou o machismo de peito aberto, como pôde na época.  Ela sempre escreveu, mas só teve coragem de publicar muito mais tarde. Durante o processo da videodança discutimos sobre o machismo impregnado no corpo jovem e como, com a idade, ela conseguiu se libertar, criar forças para falar ao mundo. Acreditamos que isso está bem presente na videodança.”

Inspirações

“Lemos muita coisa sobre e de Cora durante o projeto, mas acreditamos que os seguintes livros foram guias durante a criação: “Raízes de Aninha”, “Vintém de Cobra”, “Poemas de Becos e Histórias”.”

Cora pelo mundo

“Estamos preparando o desenvolvimento de um livro sobre a criação desta videodança, sobre o processo de criação. O objetivo agora é fazer a videodança circular por muitos lugares, inclusive no exterior. Há uma possibilidade de exibirmos em Londres em dezembro deste ano e também na Grécia.”

Videodança Cora

Dia 26 de outubro, quinta-feira, às 19h, no Teatro Mapati (707 Norte, Bloco K, Casa 5). Entrada franca. Classificação indicativa livre.

 


Maíra de Deus Brito

25 de outubro de 2017