Feminismo nas ruas

Sábado, dia 28 de outubro, a Vulva Revolução comemora três anos. A Revista Seca bateu um papo com a idealizadora, Maíra Valério, que conta a história e os próximos passos do projeto

Foto: Hanna Halm/Divulgação

Há três anos, a jornalista Maíra Valério colocou no mundo a Vulva Revolução. O projeto nasceu como um blog e, hoje em dia, toma conta das ruas de Brasília e do Brasil questionando o machismo e o patriarcado, além, claro, de mostrar a importância do feminismo.

A festa de comemoração será sábado, dia 28 de outubro, na inauguração do ateliê Gruta (715 Norte). O evento terá feira de zines, roda de conversa Ginecologia Natural e sessão de curtas, entre outras atividades.

Num papo rápido com Maíra, a Revista Seca quis saber: três anos de Vulva Revolução em três perguntas. Confira nosso ping-pong comemorativo!

Revista Seca: O que é o projeto/blog Vulva Revolução? 

Maíra Valério: Vulva Revolução nasceu com a ideia de ser um blog onde eu pudesse escoar ideias sobre feminismo em algum canto da internet. Já tem quase uma década que leio e debato sobre o tema e, com o passar do tempo, decidi que seria interessante organizar e compartilhar alguns pensamentos, trocar experiências e dicas de leitura e tudo mais. Comecei tudo sem grandes pretensões, mas, com o tempo, alguns textos começaram a viralizar e me dar alguma visibilidade enquanto escritora. Para me fortalecer enquanto autora, e celebrar o êxito do blog, fiz um zine comemorativo compilando textos antigos e materiais inéditos e, a partir daí, comecei a gostar de fazer material impresso e não parei mais. É um outro processo, que traz novas experiências, contatos e uma circulação diferenciada para os textos. Por meio da Vulva, já dei palestras, oficinas, mediei rodas de conversa, fiz lançamentos, eventos, festas e, por isso, digo que mais do que um blog, se tornou praticamente um projeto mais amplo mesmo, por onde está sendo possível fazer uma troca intelectual e prática enriquecedora com pessoas maravilhosas dispostas a pensar novos modelos de realidade. Ocupo o espaço que rolar e, desse modo, já fui parar (presencialmente e fisicamente, em palavras ditas ou escritas) em escolas, universidades, revistas, sites, associações culturais, espaços alternativos e tudo mais.

RS: Qual foi o momento mais marcante do blog nessa trajetória?

MV: Acho que a comemoração de um ano do blog, em 2015, foi um evento bem marcante, por marcar a consolidação do projeto. Muitas pessoas legais participaram, houve muita troca de ideia presencial nas rodas de conversa e foi um dia em que pude dar e receber muito amor. Gostei muito também de ir para o interior do Pará, por meio do projeto Imaginárias, da Gabriela Sobral, e oferecer oficinas de publicação independente de um modo em que a troca entre a equipe de facilitadores pode não apenas ensinar, mas aprender muito com os jovens da região. Foi uma viagem linda!

RS: Você pode adiantar alguma novidade do projeto para 2018?

MV: Quero lançar, no começo do ano, um novo zine que discute a questão de saúde estar sempre acoplada à ideia de emagrecimento e colocar em prática um projeto muito legal voltado para mulheres que escrevem que tenho estudado e planejado já tem algum tempo com minhas colegas que também escrevem e blogam, Amanda Venicio e Clarissa Wolff.

 


Maíra de Deus Brito

27 de outubro de 2017