Editorial Seca #6: Rebeldes da Virada

Fim de ano vermelho

2017 foi ano de centenário e meio centenário. As lutas humanas têm muitos capítulos, espalhados talvez por todos os quarenta volumes da história universal. As vitórias que merecem ser comemoradas, para consolo nosso, não são poucas. Ainda que menos numerosas que as derrotas, certamente. Além disso, como desconhecemos qualquer formulação dos grandes teóricos da psique humana sobre o fetiche pelos números redondos, não o desconstruímos, e seguimos usando o pretexto dos aniversários terminados em zero ou cinco para comemorar algumas dessas batalhas vencidas.

Dezessete foi o ano da maior revolução do Mundo. Disparada em fevereiro por manifestações e greves organizadas por operárias sangue nos olhos de Petrogrado, que decidiram preferir uma Rússia que almejasse a paz e a harmonia. Menos para o czar e sua família. Bom, fato é que a batalha culminou na Revolução de Outubro, quando Aleksandra Kollontai e Vladimir Ilitch Uliánov apostaram quase sozinhos no sucesso do levante e confiaram a Trotski a liderança da ação. Tomaram os pontos estratégicos da capital de forma metódica, quase silenciosa. Quando a resistência do Palácio de Inverno se provou insuficiente, o rato Kerensky buscou exílio na embaixada dos EUA e a Rússia foi dos bolcheviques.

Outubro foi também o mês de um meio centenário. Em 1967, Ernesto Guevara de la Serna era executado em solo Boliviano. Um dos heróis da maior revolução das Américas. Revolução que faz aniversário sempre na virada do ano e, no Réveillon que vem, completará mais um número redondo. Sessenta anos passados desde aquele Primeiro de Janeiro em que a liderança de Celia Sanchez e Fidel Castro levaram o Movimento 26 de Julio da Sierra Maestra ao Palácio do Governo em Havana, o transformando definitivamente em museu.

Figura ainda no calendário, entre as comemorações de Outubro e o Réveillon, mais uma tradição vermelha. Em fins de Dezembro, saudamos todos a chegada daquele bruxo amigo de Harry Potter, grande apreciador do Pó de Flu para chaminés e do Vira-Tempo, que garante sua visita a todas as crianças na mesma noite. Pois, amigos, quem não sabe que Papai Noel, além de bruxo, é comunista, está por fora. Aquela cara de Karl Marx é mais escancarada que o Clark Kent se esconder atrás de um par de óculos. A distribuição forçada de renda que o bom velhinho patrocina todo Natal é mais uma vitória dos vermelhos a ser comemorada entre as lutas da humanidade.

Nós, da Seca, desejamos a todos um excelente fim de ano, e saldamos o Camarada Noel que, em mais um Natal, escapou dos camisas amarelas da CBF são e salvo.


Vitor Camargo de Melo

29 de dezembro de 2017