Com Pimenta

Algumas impressões sobre o 19º Festival de Inverno de Bonito

Fotos: Eduardo Medeiros/Reprodução (alto) e Aurélio Vincíus/Reprodução

Recentemente, tive a chance de conhecer o Festival de Inverno de Bonito, no Mato Grosso do Sul. Em 2018, o evento chegou a 19º edição, com uma programação de encher os olhos e aquecer o coração. Música, teatro, artes plásticas, gastronomia, rodas de conversa e tenda de saberes indígenas… Durante quatro dias, Bonito – cidade quase sempre lembrada pelos rios de água cristalina – torna-se ponto de encontro das artes de todo Brasil.

O paranaense Michel Teló abriu a programação musical eclética – que foi de Milton Nascimento a Gloria Groove. Teló cantou músicas do Tradição (grupo que fez parte por 12 anos); hits como “Fugidinha”; clássicos da música caipira como “Tocando em frente”, de Almir Sater e Renato Teixeira (que também passaram pelo festival) e canções da guarânia, ritmo paraguaio.

A primeira vez de Teló em Bonito foi animada e comprovou o carinho do artista pelo Mato Grosso do Sul. Em um papo rápido, antes de subir ao palco, o artista falou sobre a relação com o Estado, onde já fez vários bailes na época do Tradição e curtiu alguns carnavais.

Focado nas gravações do “The Voice Brasil” até setembro, Michel Teló deve lançar um novo disco em 2019. “Estamos em processo de construção desse trabalho. Enquanto isso, sigo curtindo os shows e curtindo os nenéns”, diz o cantor, pai de Melinda e Theodoro.

Sem fronteiras

Nas artes cênicas, destaco os três espetáculos que mais chamaram minha atenção. “Mar sem Beira”, do grupo brasiliense Nós no Bambu, estreou em maio de 2017 e até hoje é sucesso dentro e fora do Distrito Federal. A montagem chama atenção pela resistente-delicada estrutura de bambu, mas também por mesclar tão bem circo, teatro e dança. A ideia de “Mar sem Beira” é mostrar as não-fronteiras das artes e dos indivíduos, ao trazer um enredo que fala sobre encontrar (e aceitar) o diferente e as diferenças.

“Automákina – Universo Deslizante”, do grupo gaúcho De Pernas Pro Ar, foi um dos espetáculos que mais mexeu com o público. Unindo o teatro de rua com técnicas circenses e teatro de bonecos, a trupe de Canoas (RS) questiona a existência humana em uma atuação fora do palco, no chão da praça, entre a plateia. Além da interação e do figurino atípico, “Automákina” hipnotiza quem passa pela presença de uma máquina gigante (algo com 6m de comprimento, por 7m de altura) entre os atores.

A Praça da Liberdade também ficou lotada para ver “Carmen”, do Ballet do Teatro Guaíra (PR). Na versão dos paranaenses, a ópera de Georges Bizet e a novela do escritor francês Prosper Mérimée são inspirações para a montagem que ganhou novos elementos, pensando em uma interpretação que reconheça a independência e a força feminina e questione a violência contra a mulher.

A diversidade da programação não foi ao acaso. Em entrevista ao Portal da Educativa, o secretário de Estado e Cultura e Cidadania, Athayde Nery de Freitas Junior, explicou que a pluralidade atende aos pedidos da comunidade e do público em geral. Com o fortalecimento do Festival de Inverno, Athayde espera que o evento se mantenha no calendário do Estado e seja inspiração para outros municípios.

*A repórter viajou a Bonito a convite da Secretaria de Cultura e Cidadania do Governo do Mato Grosso do Sul

 

 

 


Maíra de Deus Brito

14 de agosto de 2018