Com Pimenta

Prestes a lançar o primeiro EP, a Valuá conta para Revista Seca sobre as influências do grupo e os projetos para os próximos meses

Foto: Isabella Valois/Divulgação

Nem só de samba vive esta colunista.

Recentemente, eu bati um papo com a banda de rock Valuá que, nos próximos dias, lança o primeiro EP da carreira, “Reflexo”. De acordo com Rod, Be, Carlo e Gabs, o novo trabalho não ganhou esse nome à toa. O EP é uma imagem nítida do grupo, com composições que mostram tudo o que o quarteto viveu até aqui.

Veja Bem”, single desse projeto, já está nas plataformas digitais. Enquanto o EP não vem, confira a entrevista com os cariocas.

Revista Seca: Quais são os próximos passos depois do lançamento do EP?

Banda Valuá: Depois do lançamento, temos alguns shows em vista. Estamos organizando tudo para ficar bonito! Sabemos de uma coisa: ir o mais longe que der! Tocar não só no Rio de Janeiro, mas fora dele. Queremos ir para São Paulo, que tem um cenário musical incrível, Minas Gerais, Brasília… Onde pintar espaço, a gente embarca. Queremos fazer esse projeto render, sabe? Que as pessoas escutem e sintam afinidade com as músicas, que ele dure até as próximas gravações.

RS:  Rod é filho de cantor lírico, um gênero bem diferente do rock. Gostaria que citassem referências – além do rock – que inspiram a música de vocês.

BV:  Nossas influências, ao mesmo tempo que são bem particulares, se encaixam. Dividimos muito o som que cada um tem ouvido. Achamos que a música de hoje tem uma força intensa. Além do rock, é possível perceber na voz do Rodrigo uma influência de Billie Holiday e Muddy Waters. Para o Carlo, baixista, a influência vem das pegadas melódicas, como a do James Jamerson. Bernardo, guitarrista, gosta muito de jazz, e podemos citar Nile Rodgers na pegada rítmica e Wes Montgomery, no estilo. Na bateria, Gabriel se espelha na nitidez de sons como os do Michael Jackson, além de ser fã de (John) Coltrane.

RS:  Brasília é um caldeirão cultural, mas até hoje é conhecida como a capital do rock. Algum artista da capital federal influencia o som de vocês?

BV: O pessoal da década de 1980 consumou o que hoje chamamos de rock aqui no Brasil, não há dúvidas, gostando ou não (no caso, gostamos). De Brasília, a gente conhece uma galera forte. Sabemos, das pessoas que conhecemos e que vieram daí,  que há vários lugares para tocar e que o cenário se ajuda, é unido.. Isso dá inveja. Dos anos 1980 a gente ouve os clássicos, como Legião Urbana e Paralamas do Sucesso. São bandas que deixaram seu legado no rock nacional.

RS:  Em julho, a Valuá ficou em segundo lugar na disputa por uma vaga no Rock In Rio, em um universo de quase 300 bandas inscritas, no Festival Musical Universitário.  O que esse episódio representa na trajetória da banda?

BV: Representa o reconhecimento que nosso trabalho recebe. Foi um ótimo festival, achamos que demos tudo que tínhamos que dar e chegar aonde chegamos foi maravilhoso. Dali, surgiram muitas oportunidades e contatos. Em outras palavras: foi incrível!

RS: Quais são os desafios em fazer música em tempos de Youtube e Spotify? Ao mesmo tempo que a música de vocês corre o mundo, o trabalho de outras bandas também roda em várias cidades, países…

BV: Ao mesmo tempo em que muitas possibilidades surgem, surgem também muitos desafios. Não porque o som das outras bandas corre o mundo também, isso é maravilhoso, um tem que levar o outro! Mas o problema é que as informações e novidades vêm em massa e em tempo reduzido, por isso é preciso estar produzindo o tempo todo. Hoje é simples: você escolhe a música, se não gostou dos 10 segundos iniciais, passa para a próxima. Isso te obriga a ser preciso e fazer um som de qualidade, pensar sempre dois passos à frente. Mas prevalece o lado positivo: mesmo sendo uma banda independente, graças aos meios de streaming, você está nas mesmas plataformas que artistas grandes, lutando por espaço e visibilidade.

 


Maíra de Deus Brito

24 de novembro de 2017